Juros futuros sobem com emprego forte, dólar alto e temor fiscal

Juros futuros sobem com emprego forte, dólar alto e temor fiscal

As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira (26) com alta firme, de 30 pontos-base em alguns vencimentos, reagindo a um conjunto de fatores como a forte geração de vagas formais de emprego no Brasil, a alta do dólar, as preocupações em torno da reforma ministerial no governo Lula e receios com o equilíbrio fiscal.

No exterior o dia foi de maior acomodação para os rendimentos dos Treasuries, que oscilaram entre leves altas e baixas até o início da tarde, mas se firmaram no negativo depois disso.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 — um dos mais líquidos no curto prazo — estava em 14,74%, ante o ajuste de 14,588% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2028 marcava 14,645%, em alta de 30 pontos-base ante o ajuste de 14,348%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,75%, ante 14,526% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,73%, ante 14,547%.

O primeiro gatilho para os DIs foram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que revelou a geração de 137.303 vagas formais de trabalho em janeiro, bem acima da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters, de criação líquida de 48.000 vagas.

Na segunda-feira (24) o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, havia antecipado a geração de “mais de 100 mil vagas” em janeiro, o que esvaziou em parte o impacto direto da divulgação nesta quarta-feira.

Ainda assim, profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que o resultado foi bem superior aos 100 mil empregos formais citados como referência por Marinho, demonstrando que o mercado de trabalho segue, de fato, aquecido, o que eleva as preocupações em torno do controle da inflação.

Em reação, as taxas dos DIs ampliaram ganhos após o Caged, em movimento ajudado ainda pelo fortalecimento do dólar ante o real.

Investidores também se mantinham atentos às articulações políticas em Brasília, com foco nas mudanças nos ministérios e em anúncios que podem impactar a área fiscal.

Na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu a ministra da Saúde, Nísia Trindade, e indicou para seu lugar Alexandre Padilha, que deixará a Secretaria de Relações Institucionais.

A dança das cadeiras nos ministérios é mais uma tentativa de Lula de retomar apoio político em Brasília, em um contexto de queda de popularidade. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na manhã desta quarta-feira indicou que a avaliação negativa do governo Lula disparou na Bahia e em Pernambuco, os dois maiores Estados do Nordeste em termos de população.

No mercado, um dos receios é de que Lula, ao ser pressionado pela perda de apoio, abra os cofres e piore ainda mais a situação fiscal do governo. Pela manhã, durante coletiva em Brasília sobre o Caged, Marinho confirmou que será publicada na sexta-feira (28) a medida provisória liberando o saque do saldo remanescente do FGTS para trabalhadores demitidos desde janeiro de 2020 e que, por terem aderido ao saque-aniversário, não acessaram os recursos no momento da demissão. Conforme o governo, serão disponibilizados R$ 12 bilhões aos trabalhadores.

Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2033 — um contrato de longo prazo, bastante influenciado pelas questões fiscais — marcou a máxima de 14,84% às 11h56 (alta de 29 pontos-base), já após os números do Caged, os comentários de Marinho e o avanço do dólar para acima de R$ 5,80.

Este combo de fatores altistas para os juros futuros destoava do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries passaram a ceder com mais intensidade durante a tarde. Às 16h34, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — caía 4 pontos-base, a 4,256%.

Na curva de juros brasileira, o movimento do dia ampliou algumas apostas de que o Banco Central — pressionado pela inflação e pelo fiscal — poderá ser levado a subir a taxa básica Selic em 125 pontos-base em março.

Perto do fechamento desta quarta-feira a curva brasileira precificava 87% de probabilidade de alta de 100 pontos-base da Selic no próximo mês, como vem indicando o BC, e 13% de chances de elevação de 125 pontos-base. Na véspera os percentuais eram de 98% e 2%, respectivamente.

Para maio os investidores seguem ainda mais divididos. Na terça-feira (25) o mercado de opções de Copom da B3 precificava 45,00% de probabilidade de alta de 50 pontos-base da Selic em maio, 18,00% de chances de manutenção, 16,00% de probabilidade de alta de 25 pontos-base, 13,50% de chances de elevação de 75 pontos-base e apenas 5,50% de chances de alta de 100 pontos-base.

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