As primeiras reações ao anúncio das tarifas recíprocas por Donald Trump foram predominantemente negativas, com os mercados globais demonstrando preocupação com o impacto dessas medidas na economia mundial.
Ainda na noite do anúncio, as ações de empresas de tecnologia sofreram quedas significativas no after hours.
A Apple, por exemplo, viu suas ações caírem 6%, refletindo as tarifas de 34% para a China e 32% para Taiwan. A consultoria Airbrush classificou as tarifas para Taiwan como “desconcertantes”, alertando para possíveis danos à cadeia de suprimentos.
Impacto na Europa e reações globais
As bolsas europeias também sentiram o impacto, operando em suas menores pontuações em quase dois meses. A Alemanha, que tem os Estados Unidos como principal parceiro comercial, viu ações de empresas como a Adidas caírem mais de 10%.
O secretário do tesouro americano, Scott Bessent, advertiu que haveria uma escalada nas alíquotas caso outros países optassem por retaliação. A União Europeia e o Canadá devem se manifestar sobre as medidas.
Brasil menos afetado, mas não imune
O Brasil ficou entre os países menos atingidos, com uma tarifa recíproca de 10%. Esta posição pode conferir certa vantagem competitiva ao país em relação a outros parceiros comerciais dos EUA.
No entanto, especialistas alertam que os efeitos indiretos de uma possível recessão americana afetariam a economia global, incluindo o Brasil.
O governo brasileiro criticou as medidas, acusando os Estados Unidos de violarem compromissos assumidos perante a Organização Mundial do Comércio. A Câmara aprovou a lei da reciprocidade, dando base legal para o governo contestar a imposição das tarifas.
Perspectivas econômicas
Analistas temem que as tarifas possam levar a economia americana à recessão, combinada com aumento da inflação – um cenário conhecido como estagflação. Os mercados já refletem essa preocupação, com quedas nos índices futuros e no preço do petróleo.
Consultoras econômicas estimam que o impacto das tarifas foi maior que o esperado, com uma tarifa média ponderada de importação de 19,1%. Há expectativas de que o Federal Reserve (Fed) possa reduzir as taxas de juros para compensar os possíveis danos à economia americana.
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