A retaliação da China com o anúncio de taxas recíprocas de 34% aos produtos americanos intensifica a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Ainda assim, o país asiático tem uma posição vantajosa que possibilita o revide a Trump, diferente de outras nações, segundo especialistas ouvidos pela CNN.
“Essa retaliação pode incentivar [medidas semelhantes de outros países], mas a China tem uma condição que a permite dar esse tipo de resposta. Os EUA tem uma relação comercial que depende mais da China do que a China depende dos EUA, o que não é o caso para a maioria dos outros países”, afirmou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
O economista explicou que a medida tarifária divulgada pela China é diferente da que foi anunciada por Trump na quarta-feira (2) e deve ter um impacto mais significativo para os americanos.
“Enquanto os Estados Unidos escolheram alguns produtos para taxar, neste primeiro momento a China escolheu englobar tudo, então é uma retaliação mais forte. Essa reação inicial é muito negativo pelo potencial que tem”, declarou.
Para Leandro Consentino, cientista político e professor de Relações Internacionais do Insper, disse que a relação entre EUA e China segue na mesma direção do primeiro mandato de Donald Trump, mas agora há uma escalada na guerra comercial entre os dois países.
“Trump já tinha essas ideias no primeiro mandato, mas antes era mais ‘controlado’, seja pelo Congresso ou pelo fato de estar pela primeira vez na Casa Branca. Então, agora há uma mudança de intensidade, não de direcionamento”.
O cientista político avaliou que a tendência em momentos de incerteza, como o atual, é de que as nações passem a adotar medidas de fortalecimento interno.
“Estamos há algum tempo em uma sucessão de crises econômicas, como do subprime e a pandemia, e com intervalos de recuperação muito curtos entre elas. Isso tende a fazer com que os países olhem para dentro e tomem medidas mais protecionistas, com menos esforços de globalização, na contramão do que vivemos nos anos 1990″, explicou.
Em entrevista ao CNN Money nesta sexta-feira (4), Marcus Vinicius de Freitas, professor da China Foreign Affairs, pontuou que independentemente dos desdobramentos que as tarifas americanas ocasionem, o novo governo republicano já mudou as diretrizes do comércio internacional.
“Hoje temos uma guerra comercial de Trump contra o mundo e basicamente o enterro da Organização Comercial do Comércio (OMC), o que é ruim, porque prejudica as regras do comércio internacional e a estabilidade dessas transações. É uma guerra de Trump contra todos”, declarou.
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