Empresários entregam 13 propostas sobre a COP30 para setor público; veja

Empresários entregam 13 propostas sobre a COP30 para setor público; veja

A Amcham Brasil reuniu os principais representantes do setor público e privado para discutir os desafios da COP30, que será sediada em Belém (PA), no mês de novembro.

O evento aconteceu em São Paulo nesta sexta-feira (28). Durante o fórum, a Amcham Brasil apresentou o documento “Ambição Empresarial COP30”.

O material reúne 13 propostas elaboradas em conjunto com empresas associadas à Amcham, com foco em fortalecer o protagonismo internacional do Brasil e acelerar a implementação de políticas ambientais e climáticas no país.

As medidas foram divididas em dois eixos:

Eixo 1 – Negociações internacionais da COP30

  • Assegurar a apresentação das Contribuições Determinadas (NDCs) revisadas e ambiciosas por todos os países até setembro de 2025.
  • Avançar no Roadmap Baku-Belém, destravando recursos públicos e facilitando o acesso a bancos multilaterais para atingir a meta de US$ 1,3 trilhão anuais de financiamento climático.
  • Destravar financiamentos privados, criando um sistema de garantias para atrair investimentos em projetos sustentáveis.
  • Focar na implementação da adaptação climática, com plano de ação voltado à resiliência hídrica e alimentar e definição de indicadores de avanço.
  • Intensificar o processo negociador, promovendo reuniões preparatórias para acelerar o calendário das negociações, especialmente em financiamento, adaptação e regulação.
  • Acelerar a Agenda de Ação da COP30, com foco em conservação e restauração florestal, recuperação de terras degradadas e estímulo ao uso de biocombustíveis na transição energética.

Eixo 2 – Políticas domésticas ligadas à COP30

  • Regulação do mercado de carbono, com início da implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e criação de ambiente regulatório claro e competitivo.
  • Finalização da Taxonomia Sustentável Brasileira, para ampliar o acesso a recursos para projetos ambientalmente sustentáveis.
  • Implementação do Plano Clima, com metas setoriais claras e plano de execução em diálogo com o setor produtivo.
  • Transição energética, com regulamentação do mercado de hidrogênio limpo, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e aprovação de projeto de lei sobre minerais críticos.
  • Modernização do Cadastro Ambiental Rural (CAR), com melhorias de governança, tecnologia e aceleração das análises.
  • Aprovação da Política Nacional de Economia Circular, junto à implementação da Estratégia Nacional para fortalecer cadeias produtivas sustentáveis.
  • Criação de incentivos para Captura e Armazenamento de Carbono (CCS), com regulamentação e mecanismos financeiros para viabilizar projetos no Brasil.

“As propostas buscam contribuir para que o Brasil aproveite a COP30 para avançar nas políticas ambientais domésticas, reforçar seu protagonismo internacional e se consolidar como referência em economia sustentável”, disse o presidente da Acham Brasil, Abrão Neto.

A entidade representa mais de 3,5 mil empresas associadas, responsáveis por aproximadamente 33% do PIB brasileiro.

Desde 2021, a iniciativa mapeou 282 projetos ambientais, de 165 empresas, com pelo menos R$ 38,8 bilhões em investimentos.

No fórum, além da COP30, os setores público e privado discutiram questões como a transição energética, investimentos na agenda verde, sustentabilidade no agronegócio, descarbonização e soluções para a mobilidade.

Setor privado na COP30

Do setor privado, 190 empresas participaram do fórum. Representantes do Citi Brasil, Cargill, Dow, Mosaic, JBS, Bayer, Honeywell, CBA, ExxonMobil, GM, Marcopolo e Corning trouxeram debates para as 360 pessoas presentes.

Em um dos painéis do COP30 Business Forum, o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, falou sobre a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

“A agricultura está no centro da questão da mudança climática, da segurança alimentar. Esse processo todo se estende a ajudar mudar o setor”, disse Tomazoni.

O CEO ainda defende o investimento em transição verde para os pequenos produtores rurais.

“Nós queremos melhorar a vida das pessoas, então acredito que a sustentabilidade melhora a vida delas, melhora a saúde do planeta e torna a empresa mais competitiva”.

Setor público na COP30

Do setor público, estiveram presentes nomes como o de João Paulo Capobianco, ministro substituto de Meio Ambiente e Mudança do Clima, André Correa do Lago, presidente da COP30, Helder Barbalho, governador do estado do Pará, e Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Capobianco afirmou que o Brasil pode ser o primeiro país a se tornar “carbono negativo” a partir dos recursos ambientais dispostos. O ministro também falou sobre a importância da parceria com o setor privado.

“Não tem como movimentar a economia rumo à neutralidade de emissões sem que o setor privado, de fato, embarque definitivamente, estruturalmente, agressivamente nesse campo [de sustentabilidade]”, disse.

Já o presidente da COP30, falou sobre as expectativas para a primeira Conferência das Partes em uma floresta tropical.

“O mundo inteiro vai estar olhando para o Brasil. Durante 12 dias, todas as notícias do mundo estarão voltadas para nós. Se a gente souber aproveitar essa oportunidade, acho que temos muito o que contar sobre o Brasil”, afirmou Corrêa do Lago.

Helder Barbalho (MDB), governador do Pará, estado sede da COP, espera que a Conferência seja diferente das edições anteriores.

“Que possamos fazer desta COP, uma COP que deixe de ser apenas de intenções e seja uma COP de implementações”, exclamou.

Por fim, a diretora do BNDES afirmou que o mercado brasileiro precisa de incentivos públicos para resolver os desafios do financiamento de projetos para a transição energética.

“O que temos agora é diferente da gestão anterior. A gestão anterior entendia que o mercado sozinho resolveria o problema de financiamento desses projetos mais desafiadores. A gente entende que não, que é um mundo mais complexo e que a gente precisa combinar diferentes recursos de liquidez”, disse Luciana Costa.



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